sexta-feira, 19 de junho de 2015
Desenvolvimento humano x concentração - terceira e última parte
Desenvolvimento humano x concentração – Parte III
Por Julio Dorneles*
Os índices existentes para mensurar o desenvolvimento humano são importantes mas limitados, como bem adverte o professor Luis Roque Klering (EA/UFRGS). Aliás, é importante frisar, Klering é uma das maiores referências nesse tema. Quando da minha especialização em administração pública, sendo Klering meu orientador, pude perceber a importância de acompanharmos a evolução dos indicadores socioeconômicos, especialmente porque eles podem fornecer informações relevantes sobre o desempenho de políticas públicas para os municípios. Não tenho dúvidas, por exemplo, que houve uma expressiva melhora dos índices apresentados pelos municípios brasileiros pós anos 90. Em 1991 apenas 1% dos municípios brasileiros apresentavam a classificação com Índice de Desenvolvimento Humanos (IDH) “alto”, já em 2010 essa classificação compreendia 74% dos municípios.
Pode não ser uma revolução. Sem dúvida que não se trata disso. Mas foi um avanço muito expressivo. Nossos municípios ainda apresentam desigualdades brutais, mesmo em municípios com alto índice de desenvolvimento humano há desequilíbrios de renda. A educação ainda está muito longe de patamares mais desenvolvidos. E na saúde ainda é um desafio tão imenso quanto o território nacional. Mas é notável que além do crescimento significativo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro houve uma série de políticas que contribuíram para esse avanço. O combate à pobreza e à miséria, o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, PAC Saneamento, maiores aportes na educação através do Fundeb, acesso à escola, acesso ao ensino superior, ampliação do ensino técnico, investimentos dos municípios na educação infantil, acompanhamento da saúde no pré-natal e na primeira infância, atenção básica e estratégias de saúde da família, tudo isso e mais explicam os avanços.
Contudo, ainda há muita concentração e desigualdade, não só de renda. Há concentração de equipamentos nas áreas de saúde e educação em cidades-polo e regiões metropolitanas. Isso ainda é uma realidade muito forte na relação entre São Paulo e região Sudeste e o restante do Brasil. Acontece também dentro de cada Estado, entre diferentes regiões dentro de diferentes estados. No nosso RS, nessas áreas, ainda temos “centros” de alta concentração de saúde e educação em Porto Alegre, Caxias do Sul e Santa Maria. Precisamos de múltiplos centros em todas as regiões, para que se crie uma rede de desenvolvimento humano mais equilibrado e sustentável ao longo do tempo. Também devemos observar com atenção os 10 municípios mais bem colocados no Índice de Desenvolvimento Socioeconômico do RS (IDESE/2011-2012): Carlos Barbosa, Aratiba, Nova Bassano, Nova Bréscia, Nova Araçá, Garibaldi, Vila Maria, Veranópolis, Westfalia e Ivoti. Nós, certamente, teremos muito a aprender com eles.
Artigo publicado na edição desta sexta-feira, dia 19 de junho de 2015, do JG - Jornal de Gramado (Grupo Editorial Sinos), p. 4.
*Julio Dorneles é especialista em administração pública e consultor.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Desenvolvimento humano x concentração – Parte II
Por Julio Dorneles*
Quando falamos em desenvolvimento humano precisamos ponderar fatores econômicos mas também variáveis históricas e culturais que marcam nossa sociedade. As decisões tomadas lá no passado, quando da colonização e do povoamento do Rio Grande do Sul, têm sido perenes em seus efeitos. Como se sabe, o Brasil Império tomou decisões ao longo do século 19 que não só definiram o traçado geográfico do Estado mas também o padrão de sua ocupação territorial. Assim, o RS mantém por muito tempo a produção agropecuária especialmente das regiões Sul, Oeste e Noroeste em grandes propriedades, com culturas extensivas e voltadas à exportação. Embora isso gere uma riqueza expressiva para o Estado, não apresenta uma dinâmica distributiva na mesma proporção. Ao contrário, concentra em poucas famílias a riqueza e mantém a maior parte da população urbana e rural com baixa renda.
Podemos observar o Sul. Lá está Pelotas, a 3ª maior cidade do Estado. Que surgiu e cresceu no ritmo da cultura do “charque”, e que nas últimas décadas do século 18 e primeiras do 19 gerou um considerável acúmulo de riqueza para as famílias estancieiras e o crescimento (por atração) urbano da cidade. Exemplo de crescimento econômico, não necessariamente de desenvolvimento humano. A partir do núcleo original em tabuleiro de xadrez, o crescimento foi adicionando uma grande cidade, com uma periferia expressiva e empobrecida. É preciso registrar que os indicadores em Pelotas eram baixos e médios até 1991 (Índice de Desenvolvimento Humano/IDH era 0,558) e passaram por melhorias expressivas, chegando aos patamares médio e alto nos anos recentes (no IDH/2010: 0,739). Contudo, as melhorias ocorridas recentemente não apagaram as marcas da dinâmica econômica de Pelotas e de seu entorno. Isso ainda está bem claro quando a colocação de Pelotas no IDESE/2012 (FEE/RS): 317º posição entre os 497 municípios gaúchos.
Olhemos agora para Picada Café (5.182 habitantes), jovem município (desmembrado de Nova Petrópolis em 1992), que se encontra no caminho para Gramado. Município com pequenas propriedades de agricultura familiar, mas que tem a presença da indústria e a participação do comércio e dos serviços em sua economia. Saiu de um IDH médio (década de 90) para alto (IDH/2010: 0,758 – IDESE/2012: 0,839). Sendo que sempre manteve-se acima da média do desempenho do Estado no IDH. Pelo IDESE, Picada Café está na 30ª posição dentre todos os municípios gaúchos. Seja no bloco Educação, seja no da Renda ou no da Saúde, a pequenina Picada Café apresenta índices de desenvolvimento humano melhores do que os de Pelotas. Picada Café na região mais desenvolvida do Estado, com pequenos e médios municípios, onde precisamos procurar com determinação para encontrarmos a pobreza.
* Segunda parte - publicada hoje (12/06/2015), p. 4 do JG (Jornal de Gramado - Grupo Editorial Sinos)
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Desenvolvimento humano x concentração – Parte I
Fala-se muito nos dias atuais na necessidade de crescimento econômico: “temos um PIBinho, estamos desacelerando, vivemos uma crise, a economia está num atoleiro”. E, de fato, desde 2008 a economia mundial está apresentando solavancos, quedas, e, quando há algum crescimento, ele vem de modo muito lento. Tão lentamente que, como nos casos dos EUA e dos países europeus, dificilmente recupera as perdas. Em nosso caso (Brasil), passamos muito bem pelo chamado auge da crise e só passamos a apresentar sinais mais claros de que não estávamos imunes a partir de meados do ano passado (no último trimestre PIBs desaceleraram: - 0,7 nos EUA, - 0,3 nos países da OCDE e – 0,2 no Brasil).
O PIB é soma (em valores monetários) de todos os produtos e serviços gerados por uma determinada região ou país em determinado tempo (ano). Quando pegamos essa soma e dividimos pela população correspondente àquela determinada região temos o PIB per capita (por pessoa). Quanto maior for o PIB per capita, maior deve ser a riqueza e a tendência de desenvolvimento da região ou país. Isso é uma tendência, não uma verdade absoluta. Também é notável que em países ou regiões onde há concentração excessiva da riqueza e determinadas áreas metropolitanas ou cidades-polo, outras partes apresentam índices muito baixos de produção e as desigualdades podem ser muito acentuadas.
Para percebermos isso não necessitamos de muito estudo nem de compararmos os números, por exemplo, da Suécia (na Escandinávia) com os do recém criado Sudão do Sul (no nordeste da África). Basta observarmos o nosso Rio Grande do Sul (RS). Já é um clássico de nossa história econômica e social. Temos regiões de pequenas propriedades (minifúndios), com micros ou pequenos municípios, com presença da indústria, de agricultura familiar, com populações predominantemente de origem alemã e italiana e com as melhores rendas per capita. De outro lado vastas regiões ao sul e a oeste do estado, muito dependentes de atividades agrícolas e pecuárias em grandes propriedades, em municípios antigos, com população dominante de origem portuguesa-açoriana, indígena e polonesa (noroeste do RS), com os piores índices de desenvolvimento humano.
Os principais índices que medem o chamado desenvolvimento humano (não só econômico, mas também social) fazem uma mensuração (medida) a partir de indicadores de três grandes blocos: Saúde, Educação e Renda. Esses três grandes conjuntos estão ponderados no Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH (do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD), e no Índice de Desenvolvimento Socioeconômico, o IDESE (da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser – FEE, RS). Eles podem auxiliar-nos na compreensão da real qualidade de vida para além da medida do crescimento do PIB per capita.
*Julio Dorneles é especialista em administração pública e consultor.
(este artigo de opinião foi publicado em 05/06/2015, na página 4 do JG (Jornal de Gramado, Grupo Editorial Sinos).
sexta-feira, 29 de maio de 2015
De repente, veio a crise.
A administração fazendária de Gramado anunciou (final de abril) que a crise financeira que afeta o mundo desde 2007/8, e que só se manifestou com mais força no Brasil a partir de meados do ano passado, finalmente chegou às contas municipais. O mais estranho disso tudo é saber que trimestralmente a administração foi à Câmara Municipal prestar contas e, pasmem, mesmo no primeiro trimestre deste ano apresentou números invejáveis a qualquer município brasileiro. O modo como ocorre agora o tal anúncio de “crise”, faz parecer que a admistração se deu conta que, ao chegar o momento de negociar avanços, inclusive financeiros, em sua relação com os servidores, tratou de anunciar um cenário crítico para as contas municipais no horizonte próximo.
Ocorre que as contas não fecham com o anúncio. Os próprios números apresentados pela administração, disponíveis por diversos meios de consulta, entre eles, o Portal Transparência da própria prefeitura e os sites do Tribunal de Contas do Estado e da Secretaria da Fazenda do RS, demonstram um crescimento consistente e substancial das receitas de Gramado, de um patamar no período 2010/2012 para um andar acima a partir de 2013. Isso sem falar no fato de Gramado manter um percentual de receitas próprias na casa de 60% sobre suas receitas totais, algo muito raro entre os municípios brasileiros, que são em sua grande maioria superdependentes de transferências da União. A diversidade existente de receitas advindas de atividades industriais, agrícolas e de serviços, com o destaque para o turismo, deixa Gramado, desde que bem administrada, praticamente vacinada contra crises financeiras conjunturais. Tanto isso é verdade que o município já havia arrecadado de janeiro a março deste ano 25,31% do que havia estimado de receitas para o ano em seu orçamento (Fonte: Portal Transparência/Gramado).
Fala-se muito na crise das finanças do Estado e, de fato, o governo Sartori tem retido transferências esperadas para áreas como a saúde (em especial para os hospitais) e segurança, contudo, as transferências de ICMS (uma das principais receitas do Estado e dos municípios) para Gramado de janeiro a abril deste ano foram 11,5% superiores as realizadas no mesmo período de 2014. Outro exemplo gritante está no fato de que as transferências relativas ao IPVA foram no mês de abril/15 mais de 50% superiores às mesmas em abril/14. Que crise é essa? De fato há um contingenciamento de transferências federais relacionadas a investimentos que indicam uma prudência, tendo em vista que o Congresso levou praticamente meio ano para aprovar o orçamento, e que aos poucos o Governo Federal está regularizando.Mas o substancial das transferências federais está vinculado à arrecadação, que depois de uma queda, retomou o crescimento.
Se não é um mero “mi mi mi” preventivo da fazenda municipal, será que a administração errou na elaboração do orçamento anual para 2015?
*Julio Dorneles é especialista em administração pública e consultor.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Sobre novas mortes de peixes no Rio do Sinos
Muitos não sabem, mas a realidade é que temos "pequenas" mortes de peixes no Rio dos Sinos a cada enxurrada (chuva em grandes volumes). Morrem a cada chuvarada, principalmente no canal central de São Leopoldo, talvez 100 ou 200 peixes (até os mais Cascudos morrem). Por quê? Porque ali em poucos minutos se concentram grandes volumes de cargas tóxicas industriais e mesmo de esgoto.
Isso não é nenhuma novidade para quem conhece o Rio dos Sinos. Somente a hipocrisia daqueles que não querem um sistema de monitoramento diário, perene, constante e vigilante pode justificar a surpresa ou então é simplesmente ignorância, desconhecimento.
Neste ponto se concentram as maiores cargas de poluição por esgotos e por resíduos industriais num canal modificado, artificial, criado para conter as cheias do rio dos Sinos no centro de São Leopoldo. Nele é que os peixes recebem a maior concentração vinda de cidades "acima" de São Leopoldo e também desta. Alguns pobres peixes desavisados estão "subindo" Sinos e ali morrem já sem fôlego, outros já "descem" de poucos quilômetros acima mortos, conduzidos pela vazão.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Nova Direção da Famurs 2015-2016
Eleição da diretoria para o biênio 2015/16 - 21/05/2015
Eleição na sede da Famurs marca a escolha do prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador (ao centro na imagem), como novo presidente da Famurs. A posse da nova diretoria será realizada durante o 35º Congresso de Municípios do Rio Grande do Sul, nos dias 1º e 2 de julho, no hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre.
A nova diretoria conta com representações do Paranhana (prefeito Tito Lívio de Taquara - AMPARA) e do Vale do Sinos (prefeito Sérgio Machado de Araricá - AMVRS).
Diretoria 2015/2016
Presidente - Luiz Carlos Folador (PT) - Candiota
1º Vice-Presidente - Ederildo Paparico Bacchi (PDT) - São João da Urtiga
2º Vice-Presidente - Marcelo Luiz Schreinert (PP) - São Jerônimo
3º Vice-Presidente - Sérgio Delias Machado (PMDB) – Araricá
1º Secretário - Tito Livio Jaeger Filho (PTB) – Taquara
2º Secretário - Luiz Augusto Fuhrmann Schneider (PSDB) - Uruguaiana
1º Tesoureiro - Dalvi Soares De Freitas (PSB) - Dom Feliciano
2º Tesoureiro - Eduardo Buzzatti (Dem) - Pejuçara
Fonte: Ascom - Famurs (editado pelo blog).
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Gramado está em "crise" financeira?
Numa análise preliminar das fontes de receitas de Gramado, não há qualquer indicativo de que exista uma crise de finanças no município, muito menos que o município tenha perdido seu dinamismo econômico. Sazonalmente, ou eventualmente, o período de janeiro a março deste 2015 até poderia indicar alguma baixa nas receitas, principalmente naquelas vindas de transferências da União (Governo Federal), tendo em vista que o Congresso levou praticamente meio ano para aprovar o orçamento para 2015, e que somente agora o Governo Federal iniciou a regularização das transferências, que devem atingir a normalidade nos próximos meses. Mas nem isso sustenta um cenário de crise.
Os números não mentem:
Receitas efetivamente arredadas por Gramado anualmente (no período de janeiro a março - * abril ainda não fechou):
2015: R$ 42.033,038,71
2014: R$ 43.436.881,01
2013: R$ 43.077.905,39
2012: R$ 32.861.350,03
2011: R$ 29.781.132,79
Como pode ser visto, há uma certa estabilidade nos três primeiros meses nos últimos três anos, sendo verificada uma pequena oscilação neste ano. Contudo, é notável o aumento exponencial da arrecadação de Gramado nos últimos cinco anos.
Que fatores podem afetar para mais ou para menos a arrecadação de Gramado ou de qualquer outro município gaúcho de janeiro a março deste ano (2015)? São vários os fatores, o primeiro já referido é o adiamento de transferências da União. É sabido que Gramado recebeu e recebe grandes volumes de recursos do Governo Federal. Outros fatores são bem comuns: quantos dias úteis ou feriados ocorreram no período? Eventualmente alguma transferência importante que não ocorreu em março pode vir a ocorrer em abril, por exemplo. Quantos contribuintes quitaram o IPTU no período? Qual foi a política do município neste quesito? Quanto no período foi pago de IPVA (veículos emplacados em Gramado)? Isso pode ser significativo. Enfim, são muitos os fatores. Mas não há nada que indique uma queda impactante na arrecadação para este ano.
Tanto é que o município já arrecadou nesses três primeiros meses 25,31% do que havia estimado de receitas para o ano em seu orçamento.
Enfim, para não ser cansativo, vou exemplificar o que quero transmitir com uma importante receita do município: os repasses de ICMS (imposto estadual) no mês de março nos últimos três anos:
Março de 2015: R$ 1.643.888,75
Março de 2014: R$ 1.061.567,13
Março de 2013: R$ 958.215,77
Bem, podes dizer que não avaliei aqui as despesas do município... sim, é verdade, não expus aqui pois não era o foco. Mas já adianto, também não há qualquer indicação de "crise". O que pode ser facilmente visto é o famoso "mau gasto" público por eventual má gestão em aspectos tópicos (em princípio, nada relacionado com gastos com pessoal, com servidores públicos, em geral, com salários medianos ou mesmo baixos salários).
Fontes: Portal Transparência de Gramado, TCE RS, e Secretaria da Fazenda do RS.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Cidades da inclusão social
CIDADES GAÚCHAS E CATARINENSES se destacam no Atlas da Exclusão Social - exatamente pela INCLUSÃO:
35 cidades com os menores índices de exclusão social ficam nos estados de Santa Catarina (com 13 municípios), Rio Grande do Sul (13 municípios) e São Paulo (9 municípios). O estudo foi organizado por Alexandre Guerra, Marcio Pochmann e Ronnie Aldrin Silva, e publicado pela Editora Cortez.
Chama a atenção que a maioria das cidades gaúchas e catarinenses são municípios que se constituíram (em sua maioria) por colonizações baseadas em pequenas propriedades e na imigração alemã (e, em menor número de cidades com colonização italiana).
Observe a lista:
As 35 cidades da lista concentram-se em 3 estados:
– Santa Catarina com 13,
– Rio Grande do Sul também com 13,
– São Paulo com 9.
Sendo isso, o ranking ficou o seguinte:
1º Pomerode – SC
2º Vale Real – RS
3º Picada Café – RS
4º Schroeder – SC
5º Elisário – SP
6º Borá – SP
7º Jaraguá do Sul – SC
8º Dois Irmãos – RS
9º Treviso – SC
10º Vila Flores – RS
11º Feliz – RS
12º Morro Reuter – RS
13º Ascurra – SC
14º Brusque – SC
15º São José – SC
16º Tupandi – RS
17º Botuverá – SC
18º Serafina Corrêa – RS
19º Teutônia – RS
20º São Caetano do Sul – SP
21º São José do Hortêncio – RS
22º Dourado – SP
23º Gabriel Monteiro – SP
24º Indaial – SC
25º Capivari de Baixo – SC
26º Blumenau – SC
27º Arroio do Meio – RS
28º Rio dos Cedros – SC
29º Bady Bassit – SP
30º Santa Maria do Herval – RS
31º Inúbia Paulista – SP
32º Palmares Paulista – SP
33º Orindiúva – SP
34º Timbó – SC
35º Bento Gonçalves – RS
domingo, 22 de março de 2015
22 de março, Dia Mundial da Água (artigo de opinião)
Autoria: Julio Dorneles*
Poderia ser uma obviedade dizer que sem água não há vida. Afinal, todos sabemos. Mas há pelo menos dúvidas legítimas se realmente estamos vivendo um grau tal de consciência acerca da água em nossas vidas que possa ser motivo de comemoração. É fato, sem água não há: abastecimento, agricultura, pecuária, mineração, tecnologia de precisão, economia sustentável, energia capaz de manter as cidades funcionando... mas sua falta também inviabiliza o amor, o nascimento, a cooperação, a alegria, a justiça.
De toda forma, aqui chegamos novamente ao 22 de março, dia mundial da água. Neste ano, em especial, encerra-se a chamada “Década da água 2005-2015”, conforme estabeleceu a Organização das Nações Unidas (ONU). Em tese, esses dez anos devem provocar tamanha reflexão e um conjunto de planos, programas e ações que expressem uma verdadeira mudança de cultura em relação à crescente escassez de recursos hídricos. Percebe-se que nesses últimos anos houve todo tipo de evento que exige da sociedade, das comunidades, das empresas, dos órgãos de governo e das companhias de abastecimento um engajamento diário no cuidado da água. Houve de tudo: mortandades de peixes, cheias, estiagens e secas prolongadas, desabastecimento, impactos sobre a geração e fornecimento de energia. Mas, sobretudo, com a crise hídrica na região Sudeste do Brasil, vimos o quanto ainda mais reagimos do que agimos preventivamente diante dos eventos extremos relacionados à água.
Diante de eventos extremos como a estiagem prolongada ou mesmo a seca, há uma gritaria generalizada sobre a falta de investimentos em ampliação da capacidade de captação ou produção de água e sua reservação (armazenamento), e isso é verdade. São Paulo tornou-se exemplo inequívoco disso. Mas antes ainda, é necessário que se multipliquem os investimentos em preservação de matas e florestas, bem como no mapeamento e na proteção absoluta de nascentes, pois são estas as verdadeiras fontes “produtoras” de água. Trata-se, portanto, de perceber que devemos considerar o tema da água como um assunto de segurança. Sim, uma questão de segurança hídrica, de garantir que a fonte da vida e da economia não vai secar.
Olhando um pouco mais para nossas regiões e bacias hídricas (por ex.: Rio dos Sinos e Rio Caí), observa-se avanços e recuos intermitentes nas políticas públicas relacionadas aos recursos hídricos. Por momentos parece que consolidamos planos, programas e ações, mas logo ali adiante são abandonados ou postos de lado, em segundo plano, como que esperando-se a próxima tragédia para que se volte às políticas permanentes. Nossas cidades trabalham com a perspectiva de crescimento populacional e econômico contínuo, mas será que os gestores e os atores econômicos estão pensando na água necessária para o crescimento sustentável?
*Consultor, especialista em administração pública. Foi diretor-executivo do Pró-Sinos e diretor técnico da Corsan.
sábado, 21 de março de 2015
Dia Internacional das Florestas (21 de março) e Dia Mundial da Água (22 de março)
21 de março é o Dia Internacional das Florestas
Sem matas e florestas não temos água.
22 de março é o Dia Mundial da Água
Não jogue lixo em canais, córregos, riachos, arroios e rios, assim a drenagem das águas é facilitada e a cidade é mantida limpa.
No arrojes basura en canales, contribuye al drenaje de aguas, mantén limpia a #Montería. #CiudadLimpia #CiudadAmable
Sem matas e florestas não temos água.
22 de março é o Dia Mundial da Água
Não jogue lixo em canais, córregos, riachos, arroios e rios, assim a drenagem das águas é facilitada e a cidade é mantida limpa.
No arrojes basura en canales, contribuye al drenaje de aguas, mantén limpia a #Montería. #CiudadLimpia #CiudadAmable
sexta-feira, 6 de março de 2015
Impróprias águas
“Ao nascer, a mãe o mergulhou no Estige, o rio
infernal, para torná-lo invulnerável. Mas a água não lhe chegou ao calcanhar,
pelo qual ela o segurava, e que assim se tornou seu ponto fraco - o proverbial
"calcanhar de Aquiles".
São frequentes
as mortes por afogamentos em nosso Estado. Elas ocorrem no litoral (praias,
mar), e em todas as regiões onde há arroios, rios, lagos, açudes. O período de
maiores ocorrências de mortes é o verão. E, por mais incrível que pareça, também
são muitos os casos de mortes por afogamento nos trechos do Rio dos Sinos em
que existem as “prainhas”. Mesmo em pontos mais poluídos do Rio dos Sinos, a
partir do encontro deste com o rio Paranhana, em dias mais quentes, são muitos
os populares que se banham em impróprias águas. E por que afinal pessoas
adultas, por vezes levando seus crianças e adolescentes, se arriscam em águas
impróprias para o banho e incompatíveis com parâmetros de saúde e de segurança?
Prolongadas
estiagens e calor intenso agravam e aceleram a degradação da qualidade da água
do Sinos em um de seus trechos mais críticos, no seu curso capilé, bem na
região central de São Leopoldo. Ao mesmo tempo, esse rio parece exercer tal
magnetismo que “justifica” ou dá vazão a que sujeitos deixem suas frágeis
existências esgotarem-se em seus leitos.
Isso em um canal de extensão não superior a 3 km, onde outrora pulsava a
vida social e afetiva de gerações de leopoldenses e novohamburguenses, isso
seguramente desde 1824. Aliás, salta aos olhos o fato de boa parte das mortes
ocorrer justamente no ponto de desembarque dos primeiros imigrantes alemães,
antes de se destinarem à Feitoria. A cada ano, nesse mesmo trecho e em outras
prainhas, se acumulam lápides ao descuido, à ausência ou desuso da razão.
As mortes
ocorrem não somente em águas escuras e profundas. Ainda que estejam vazão e
níveis baixos, o Rio dos Sinos reserva, até mesmo a nadadores e salva-vidas
profissionais, armadilhas que capturam os frágeis organismos humanos. Lodo,
galhos, resíduos acumulados e buracos não percebidos são alguns dos fatores de
risco. E assim, sujeitos se vão do cenário familiar em impróprias águas,
prematura e inconsequentemente. Vale lembrar que as águas do Sinos em suas
Terras Baixas não se adequam a condições mínimas de balneabilidade, menos ainda
à vontade daqueles que, ainda que inconscientemente, negam a sua natureza
humana, ou seja, sua fragilidade e transitoriedade.
Seria
importante que os municípios e outros órgãos de Estado atuassem na
identificação dos locais de maior risco e na orientação à população, a fim de
minimizar-se os riscos e as perdas de vidas em águas que são impróprias para o
banho, ainda que seu entorno possa oferecer alguma beleza e remeta a um passado
que não existe mais. E, assim, crie-se uma perspectiva de futuro para o uso das
águas e dessas prainhas.
*Consultor, especialista em administração pública.
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