quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A sociedade e a marmita

Todo historiador conhece o texto de Paul Veyne "Como se escreve a história". Pois esse tem uma nota, não uma nota de rodapé, mas de final da última parte do capítulo 6 (COMPREENDER A TRAMA/A história não possui grandes linha), que é muitíssimo curiosa. Ela trata acerca da sociedade como uma "marmita", isso mesmo, uma marmita tipo aquelas que eu levava para o almoço do meu pai quando trabalhava em construções. Curiosa analogia, mas bastante didática, talvez servindo à reflexão acerca da conjuntura histórica que é vivida no Brasil, no Egito, na Índia... Pois leia ela aqui:

"Uma sociedade não é uma marmita em que os motivos de descontentamento, por ferver, acabam fazendo pular a tampa; é uma marmita em que um deslocamento acidental da tampa provoca a ebulição que acaba por fazê-la saltar. Se o acidente inicial não acontece, o descontentamento resta difuso, embora visível se o espectador é de boa-fé e não tem interesse em nada ver (lembro-me nitidamente do embaraço dos muçulmanos da Argélia em agosto de 1953); é verdade que o espectador nada pode predizer quanto à passagem do difuso à explosão." (nota 5, de Paul Veyne, UnB, 2008, 4a.ed., p. 95, grifos meus).

O contexto: revoluções cuidadosamente preparadas, articuladas, anunciadas... acabam por se perder, enquanto outras, INESPERADAS, vêm à luz do dia, trazendo consigo a revelação de problemas que até então sequer eram cogitados pelos revolucionários.

À reflexão marmiteiros!


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