terça-feira, 31 de agosto de 2010

Artigo de Leonardo Boff

CONSOLIDAR O NOVO TRAZIDO POR LULA CONTRA AS ELITES
Leonardo Boff *


Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que com Lula, o PT instaurou na história política brasileira. Derrotou as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu, “capado e recapado, sangrado e ressangrado”. Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados. Por isso são, segundo dados do Banco Mundial, aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% dela possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta.

Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites tenha sido construida com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam: “façamos nós a revolução antes que o povo a faça”. E a revolução consistia mudar um pouco para tudo ficar no mesmo. Destarte abortavam a emergência de um outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado.

Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde “a coisa pública”, o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade. Na linha de Gandhi Lula anunciou: “não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido”. Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. A “Fome Zero”, depois a “Bolsa Família”, o “Crédito consignado”, o “Luz para todos”, a “Minha Casa, minha Vida”, a “Agricultura familiar, as Escolas profissionais, entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média baixa. Toda sociedade se mobilizou para melhor. Até as elites se beneficiaram e enricaram mais.

Ma essa derrota inflingida às elites excludentes e anti-povo, deve ser nesta eleição consolidada por uma vitória convincente para que se configure um “não retorno definitivo” e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.

O Brasil foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Foi visto a partir das caravelas: os portugueses “descobrindo/encobrindo” o Brasil. Nos últimos tempos, o Brasil começou a ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituirem índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim, a globalização econômico-financeir inserindo-nos como sócios menores e agregados.

Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.

Inaugurou uma atitude autônoma da política externa. Ajudou a criar um novo pólo de poder Sul-Sul e se propôs a pagar uma dívida histórica para com a África, ajudando-a no desenvolvimento.

Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Ceslo Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro A construção interrompida(1993): “Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou prevalecerão as forças que se empenham em interromer o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação” (p.35). Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com as forças que com Lula, realizarão o sonho de Celso Furtado.


* Teólogo autor de Depois de 500 anos: que Brasil queremos, Vozes (2000).

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uma grande batalha


Em 1979, meu pai me mostrou o que era torcer por um time invencível. Cresci esperando que o Inter fosse sempre invencível. Aprendi, contudo, que as vezes ele perde uma aqui outra ali. Mas geralmente ele extermina os adversários, em especial o da Azenha, freguês de carteirinha e tudo.
Ainda não somos bicampeões da América. Faltam poucas horas. Entretanto e acima de tudo, já estamos novamente no mundial de clubes. Ser bicampeão da América será um momento de transição para uma gloria ainda maior, o bimundial.
Por tudo isso, esse time lembra muito o rolocompressor colorado e o tricampeão brasileiro invicto de 1979.
Registros perenes na retina da memoria e paixão capaz de circular entre a alma e o espírito de todo o colorado.
Vamo, vamo meu Inter!
Pra cima deles Inter!
Ate o apito final somos milhões contigo em campo nessa batalha gloriosa em que haveremos de sairmos vitoriosos!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pró-Sinos comemora três anos com novos projetos e música

13/08/2010

Diário de Canoas - Canoas/RS  Geral 08

por ALINE ADOLPHS

São Leopoldo - O projeto Marfim Pescador 2 deve ser entregue no início da próxima semana ao Programa Petrobras Ambiental. Faltava a assinatura dos parceiros, o que ocorreu ontem à tarde durante a assembleia comemorativa dos três anos do Consórcio Público Pró-Sinos.

Feevale, Faccat e Grupo Sinos participam do projeto, juntamente com o Instituto Marfim Pescador, que será o proponente, e o Pró-Sinos, que coordenará as ações. Além deste, foi assinado um convênio com uma empresa de Seguros, que irá destinar parte de seus recursos financeiros a projetos ambientais do Consórcio.

O prefeito de São Leopodlo, Ary Vanazzi, presidente do Pró-Sinos, destacou a importância dos convênios na evolução da entidade, que foi criada em 16 de agosto de 2007, motivada pela recuperação do Rio dos Sinos após a mortandade de peixes em 2006. A abertura da solenidade contou com apresentação do Quarteto do Museu, formado por violinos, viola e contrabaixo.


Quarteto do Museu fez apresentação

O Quarteto do Museu é formado por Rael Gobatto e Luciane Both nos violinos, Cassiano Brown da Rocha, na viola, e Gastão Gerling no contrabaixo acústico. De acordo com Gerling, o nome do grupo é uma homenagem ao Museu Histórico Visconde de São Leopoldo.
No repertório do evento, o grupo incluiu Pompa e Circunstância, de Edward Elgar; Marcha dos Sacardotes, ária da ópera Flauta Mágica de Mozart; Cinema Paradiso, de Ennio Morriconi; a quase esquecida e resgatada pelo grupo Amapola, de La Calle e Por una cabeza, tema dos filmes Perfume de Mulher e A lista de Schindler. Tudo para, segundo Gerling, dar um clima suave à tarde. "Participamos de eventos pelas boas causas. E uma honra."


SEGURO É NOVIDADE

Segundo os diretores da seguradora Rogério Cervi e Cesar Dioni Costa, os recursos destinados ao Pró-Sinos devem se originar de um produto que terá apelo social e ambiental. A ideia é oferecer um seguro residencial completo, com cobertura contra vendavais e incêndios, que seja acessível a pessoas de baixa renda e ainda colabore com projetos ambientais.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Três anos do Pró-Sinos


Música na comemoração de três anos do Pró-Sinos



O Quarteto do Museu fará a abertura da assembléia comemorativa de três anos do Pró-Sinos, nesta quinta-feira (12). O evento acontecerá às 16h30, no Teatro Municipal, junto ao Centro Cultural José Pedro Boéssio, localizado na Rua Oswaldo Aranha, 934, Centro de São Leopoldo. Os músicos, Rael Gobatto (1° Violino), Luciane Both (2° Violino), Cassiano Brown da Rocha (Viola) e Gastão Gerling (Contrabaixo) apresentarão repertório erudito e popular.



Sobre o grupo

O nome Quarteto do Museu é uma homenagem do grupo ao Museu Histórico Visconde de São Leopoldo pelo trabalho no resgate da memória histórico-cultural da cidade.
Assim como o Museu, o quarteto busca resgatar um pouco da herança musical de outras épocas, melodias perdidas no passado, com uma versão contemporânea, resultado de experiências e vivências individuais nos tempos modernos.


Foto: Ato de inauguração na Assembléia dos prefeitos consorciados, em 16 de agosto de 2007. Sob a liderança do prefeito municipal de São Leopoldo, Ary José Vanazzi, eleito como o primeiro presidente do Pró-Sinos.

Fonte: http://www.saoleopoldo.rs.gov.br/ e http://www.portalprosinos.com.br/
Leia mais sobre os 3 anos do Pró-Sinos em:
http://www.gruposinos.com.br/ - Jornal VS desta quinta-feira, dia 12 de agosto, pág. 7.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

FBB confirma investimento para o Pró-Sinos


O gerente de Parcerias da Fundação Banco do Brasil (FBB), Jefferson D’Ávila, confirmou na manhã de hoje (3), que a instituição investirá na Usina de Resíduos da Construção Civil (URCC), projeto desenvolvido pelo Consórcio Público de Saneamento Básico da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos (Pró-Sinos).

De acordo com o diretor-executivo do Pró-Sinos, Julio Dorneles, o investimento para aquisição da URCC será totalmente coberto com recursos da FBB, com valor estimado em R$ 1,5 milhão. O município de São Leopoldo, sede do Consórcio, participará com a área destinada à instalação e operação da usina. Ao Pró-Sinos caberá o recebimento e implantação da usina, bem como as medidas necessárias à sua gestão operacional.
O presidente do Pró-Sinos, prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, ressaltou a área de resíduos sólidos é a principal preocupação do consórcio. “Já está em andamento o diagnóstico dos resíduos sólidos na bacia. Com o apoio da FBB, vamos avançar não só com o estudo, mas com solução para um dos maiores problemas enfrentados pelos prefeitos na região”, frisou.

Segundo Jefferson de Oliveira, a decisão está tomada e aguardará o detalhamento do modelo de operação da URCC para a assinatura do convênio e liberação dos recursos, que em função da legislação deverá ocorrer ao final do período eleitoral. O representante da FBB foi recebido pela direção do Pró-Sinos. Também acompanharam a reunião o representante da Agência de Desenvolvimento Social da CUT nacional, Niro Barrios, o coordenador de Projetos da Província Marista do RS, Leonel de Carvalho, e pelo irmão Antônio Cecchin. Os participantes da reunião destacaram o caráter social e ambiental que terá a URCC do Pró-Sinos na região e a importância para os municípios e empresas do setor de construção civil.

O Pró-Sinos estuda possíveis parcerias com o Sindicato da Construção Civil (Sinduscom), Senai e empresas do setor com vistas ao aproveitamento máximo da URCC e possíveis projetos complementares de formação e qualificação de trabalhadores para a construção civil e geração de trabalho e renda.


Vanessa de Souza Bueno
Jornalista– MTb 11.299
Telefones: (51) 91540540 – (51) 3579 6104
e-mail: marketing@semae.rs.gov.br
Assessoria Plena de Comunicação e Marketing
Serviço Municipal de Água e Esgotos – Semae
São Leopoldo (RS)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Lula se comove com discurso de frei Sérgio

 
por Igor Müller

igor@gazetadosul.com.br


Em um discurso que durou pouco mais de dez minutos, o coordenador nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), frei Sérgio Goergen, um dos anfitriões da visita de Lula a Santa Cruz, conseguiu deixar o presidente visivelmente emocionado. Goergen lembrou de uma viagem que fez como motorista de Lula na década de 1980 entre o Norte do Estado e Porto Alegre, em que eles pararam no meio da madrugada em uma lancheria e foram atendidos por um adolescente de 14 anos. “Lembro, Lula, que tu segurou o meu braço e disse: é por isso que temos que mudar o País. Esse menino tinha que estar dormindo para estudar amanhã”, relembrou Goergen.

Lula, que ouvia atentamente, ficou com os olhos marejados quando o líder do MPA acrescentou: “Pensei que aquele Lula tinha sido retorcido pelos ferros do poder, mas felizmente vejo que não, que ele está mais vivo do que nunca”. A resposta do presidente veio depois, quando ele ficou ao microfone por 28 minutos e ainda voltou ao palco para acompanhar a pequena violinista de Sinimbu. “Eu sei, frei Sérgio, que não foram poucas as vezes em que companheiros como você acharam que o governo tinha se desencaminhado, que o governo não ia conseguir construir aquilo que a gente prometia em praça pública. Nunca me queixei pelo fato de as pessoas terem dúvida”, disse.


O presidente acrescentou que “o governo aprendeu a não reclamar das pessoas que reclamam dele”. “O maior orgulho que tenho, quando deixar a Presidência, é poder andar pelos rincões deste País de cabeça erguida, sabendo e tendo a consciência de que nós fizemos, em oito anos, muito mais do que foi feito em 20 ou 30 anos neste País”, comentou Lula, admitindo que “há muita coisa por fazer”. Em seguida ele disse que “em política temos que medir sempre a correlação de força entre o que eu quero e o que eu posso fazer e com quem eu conto para fazer”. Em uma frase polêmica, que pode ser encarada pela oposição como eleitoreira, Lula frisou que “nós gostaríamos de fazer muito mais e eu espero que nos próximos anos a gente faça mais e mais rápido”.