quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Fim de um ciclo







Adeus ano velho
Por Julio Dorneles*

Calendário, Natal, fim de ano, ano velho, ano novo... Eu aprendi, não passam de convenções, de marcações arbitrárias em que tentamos, com todas as limitações, como que aprisionar o tempo, pelo menos alguns instantes, momentos, frações de algo muito superior a nós e que flui ininterruptamente. Em outra perspectiva, mais de nossa natureza humana, a passagem que ocorre nesse período de Natal e Ano Novo se torna uma ótima oportunidade para a reflexão e para a interação. As duas atitudes exigem, como o nome já diz, ações. Ainda que uma primeira diga mais respeito ao nosso mundo mais interno, emocional, psicológico, afetivo e espiritual, a reflexão vai conduzir tudo isso para as relações sociais, familiares, e, claramente, afetivas.
A qualidade com que iremos vivenciar esses dias poderá indicar uma tendência para o ano que está se alinhando ali à frente.

Feliz ano novo
Por tudo que foi para o bem e para o mal, espera-se que o próximo ano seja melhor na econômica, na política, nas relações interpessoais, no futebol, enfim, em tudo. Obviamente que se a mudança não começar por cada um de nós boa parte desse desejo legítimo pode naufragar. Mas, de minha parte, farei mais do que já tenho feito para que os melhores desejos se realizem.

Transição para governar
Quero também registrar aqui que estamos finalizando a transição da administração Nestor-Luia para a gestão 2017-2020, com Fedoca e Evandro sendo a Voz e a Vez dos Gramadenses. Quero agradecer a oportunidade de convivência e de interação nesse período, e dizer que, sem dúvida, que honrarei o convite que recebi do prefeito Fedoca Bertolucci para assumir em janeiro a Secretaria Municipal de Administração de Gramado.

Para refletir
“A melhor habilidade de um militar é conquistar as tropas inimigas sem lutar”. Sun Tzu, A arte da guerra (2.500 A.P.)
 
 
*Julio Dorneles é professor especialista em administração pública e consultor.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Outubro






“É aos escravos, e não aos homens livres, que se dá um prêmio para os recompensar por terem se comportado bem.” Baruch Spinoza (filósofo do século 17)



Vêm aí pela frente as eleições de outubro. Geralmente esse período a cada ano já provoca mais reflexão em todos. Sendo ano eleitoral, ainda mais necessária é a reflexão.  No calendário anual já nos encaminhamos para uma espécie de reta final de uma corrida de obstáculos e de grandes testes de resistência.  Olhamos um pouco para um calendário que já se foi, mês a mês, folha a folha, e resta pouco para chegarmos ao final de um ciclo. Logo começará outro.

No trabalho pensamos nas metas, talvez no período de férias que virá lá adiante. Na escola ou na faculdade vêm exames, avaliações e mais exigências até que se finalize o semestre, o ano, com os objetivos alcançados ou não.  Se tivermos um tempo ainda caberá uma avaliação e quem sabe um novo planejamento para reequilibrar a vida.

Sinceramente faço votos que todos possam ter esse tempo e essa lucidez. Que saibamos respirar, pensar, refletir, reavaliar e, se necessário, recomeçar.  Pode ser um novo caminho, um novo rumo, uma esperança renovada. Pode ser um outubro diferente dos anos passados. O importante é saber vive-lo.

Se for depositar seu voto com confiança e esperança, que sejam estas fundadas numa reflexão muito séria. Que teus candidatos mereçam teu voto. Se teu candidato a prefeito ou a vereador é um professor ou um advogado ou tenha qualquer outra atividade, que seja uma pessoa digna, coerente, comprometida. Observe se o patrimônio efetivo dessa pessoa, se  é compatível com o declarado, se ele ou ela tem uma história de compromisso com a tua vida e com  tuas necessidades, enfim, se te representam. Afinal, é da natureza de homens e mulheres livres “se comportarem bem”. O que significa isso? Que são cidadãos exemplares, imperfeitos, mas únicos e dignos do teu voto.

Por Julio Dorneles

Professor, especialista em administração pública. É teólogo e licenciado em história.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Encontro com catadoras e catadores do Vale dos Sinos

Fórum dos Recicladores do Vale dos Sinos Neste sábado passado (28/05) participei do encontro mensal dos catadores e das catadoras, cooperativas e associações da região do Vale do Rio dos Sinos. O encontro ocorreu na antiga sede da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos). No encontro falei sobre o atual cenário do Saneamento ambiental, resíduos sólidos e, em especial, sobre a questão da água (qualidade, déficit hídrico e desafios) para nossa região no RS/Brasil. Créditos: Fórum dos Recicladores e Daiana Schwengber

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Futebol

Por Julio Dorneles* (artigo de opinião publicado no Jornal de Gramado, em 10.12.2015, p. 9) Eu era um adolescente. Não tinha lá muito talento para o futebol. Quando mais criança havia abandonado o posto de goleiro de Handebol após desmaio resultante de uma violenta bolada que atingiu minha cabeça. Defendi. O gol do adversário não saiu, mas eu achei que não era uma boa posição para mim na equipe. Depois disso, eventualmente, fui para o Futebol. Mas muito raramente estive na equipe titular ou envolvido em grandes disputas. Para minha surpresa, na antiga 7ª série do Ensino Fundamental, o professor me convocou para um torneio que se realizaria em uma cidade próxima. Lá fomos eu e meus parceiros. Rolando o torneio fomos indo razoavelmente para as partidas decisivas. Enfrentamos a partida que nos colocaria na final, jogamos bem, mas perdemos nos pênaltis a classificação para a disputa do título. Tivemos que nos contentar com a disputa pelo terceiro lugar. A partida foi novamente terrível. Perdemos no detalhe, 2x1. Passou um tempo, acho que uns dois ou três meses, e veio o professor com as medalhas. As medalhas não eram de quarto colocado, mas de terceiro. “O que houve professor?” Haviam descoberto uns “gatos” no nosso adversário. Verdade que eu não era de grande porte, mas aqueles caras que nos marcavam eram muito maiores que nós. Algo estava mesmo errado. Hoje há uma onda de transformar tudo na vida em uma partida de futebol. Um jogo de quem perde e quem ganha. E não pode evidentemente ser assim. É inaceitável. Na política, na administração pública e privada, no hospital, na vida das pessoas, não se trata de uma partida de futebol ou um campeonato. Uma partida pode ocorrer sem prejudicar ninguém se seguir as regras, e poderá ser reeditada, por exemplo, em inúmeros grenais. Esse jogo do impeachment já estava fora da pauta, e voltou. Com base nenhuma, sem respeito à Constituição e às regras mínimas destinadas a assegurar avanços e corrigir erros. A mesma lógica dos que o defendem, se aplicada a todos que “pedalaram”, levaria ao afastamento de 99% dos governadores, prefeitos e até mesmo de gestores de empresas privadas, os quais, em tempos de crise, tem nas pedaladas uma alternativa de sobrevivência. *Julio Dorneles é especialista em administração pública e consultor. juliodorneles@hotmail.com