quinta-feira, 12 de abril de 2012

A “guerra” da água e o futuro do Sinos



Por Julio Dorneles*

Nessas idas e vindas que tenho realizado na gestão do Consórcio Pró-Sinos, com frequência cada vez mais recorrente, tenho me deparado com expressões que remetem a uma “guerra” declarada pela água (recursos hídricos). Esse termo, na verdade, manifesta de forma estereotipada uma cada vez mais aguda disputa pelo controle dos recursos hídricos, logicamente, pela gestão dos serviços de saneamento básico no mundo em que vivemos.  E, embora alguns “bairristas” acreditem não estarmos inseridos nesse “mundo”, estamos sim.  A Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos e todas as demais bacias hidrográficas do Estado do Rio Grande do Sul já são objeto desta “guerra” cada vez menos silenciosa.
O controle da água foi estratégico para o desenvolvimento de todas as antigas civilizações de maior projeção na história. Seja na China, na Índia, na Mesopotâmia, no Egito, na Grécia ou entre os Incas e Astecas na América Pré-Colombiana, quem controlava os recursos hídricos exerceu por longos períodos a hegemonia regional.  Se olharmos para os últimos três mil anos da história da Palestina e do Oriente Próximo, veremos que o conflito pela água precedeu e acompanha lado a lado as guerras pelo controle da extração de petróleo e da infraestrutura que liga o Oriente Médio e o Extremo Oriente à Europa. Na história do Brasil, desde o período colonial, passando pelos primeiro e segundo Impérios e chegando ao Brasil republicano, a lista de conflitos internos e externos. Entre os externos, a uma lista significativa de conflitos com nossos vizinhos da Bacia do Rio da Prata, Paraná, Paraguai e Amazonas entre outros.
Recentemente, tanto em nossa Bacia do Sinos como em outras bacias hidrográficas de nosso Estado foram recorrentes os conflitos entre os diferentes usuários dos recursos hídricos, com destaque para um sério confronto entre o uso voltado ao abastecimento humano e o destinado às culturas irrigadas (em especial a do arroz). Vi esse conflito generalizado na audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa em Santa Rosa e durante a prolongada estiagem que atingiu nossa região no último verão. Ainda longe de ser uma guerra efetiva, os conflitos entre os diferentes usos da água na Bacia do Sinos precisam muito mais do que “acordos em momentos de crise”. Precisamos de corajosas políticas públicas como as defendidas pelos prefeitos desde a fundação do Pró-Sinos em agosto de 2007.
A recém-criada Comissão Especial para a Bacia do Sinos da Assembleia Legislativa poderá ser uma oportunidade ímpar, antes da próxima crise, para que possamos juntos, todos os atores envolvidos, construirmos políticas públicas que atendam os desafios da disponibilidade de água e da despoluição de nossa bacia. Sem isso, não haverá desenvolvimento sustentável em nossa região.

*Julio Dorneles é diretor executivo do Pró-Sinos e especialista em administração pública.

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