domingo, 17 de fevereiro de 2008

Nasce um novo país na Europa



O futuro dos Bálcãs

Nasce um novo Estado (país) Europeu

O primeiro ministro Thaçi afirma que Kosovo se declarará independente hoje
Milhares de pessoas tomam as ruas de Prístina para comemorar antes da hora da decisão

Matéria publicada em El País, em 17.02.2008
RAMÓN LOBO (ENVIADO ESPECIAL) - Pristina - 17/02/2008
Traduzido do espanhol por Julio Dorneles


Hoje (domingo,17.02.2008), a partir das três da tarde, nascerá um novo Estado (país): Kosovo. O fará com o apoio dos Estados Unidos e da União Européia, seus principais patrocinadores, e com a oposição total da Rússia e da Sérvia, que se sente injustamente amputada em um território que considera o lugar onde nasceu sua identidade nacional. Essa ferida não é imaginária nem distante, está presente em cada um dos 100 mil sérvios que ainda permanecem na até agora “província” e que vivem as horas que antecedem a independência com, sobretudo, medo.


Os 16 mil soldados da OTAN espalhados no território, algo da mão esquerda diplomática e toda sorte que faltou nas guerras balcânicas nos anos noventa, poderão evitar outro desastre e conseguir que o desmembramento da Iugoslávia acabe de uma vez em Kosovo, onde iniciou em 1989 com a anulação da autonomia, e não seja o início de outra rodada de sangue e morte.


“Em nome das instituições trago uma mensagem à família Jashari e ao mundo de que Kosovo está se tornando independente. Amanhã [hoje, domingo] é o dia em que se fará realidade a vontade dos cidadãos de Kosovo. Será uma jornada tranqüila e de entendimento”, assegurou ontem o primeiro ministro Kosovar, Hasim Thaçi. Disse isso na casa que pertenceu a Adem Jashari. Foi um gesto carregado de simbolismo numa terra onde os mortos e os mitos parecem guiar o destino dos vivos.


Jashari, um dos fundadores da guerrilha do Exército de Libertação de Kosovo (UÇK), foi assassinado pelas tropas sérvias junto a 56 membros de sua família (incluídos crianças, mulheres e um bebê de oito meses). [Isso] Ocorreu em Prekaz, em março de 1998, data que marca para os albaneses o início de uma guerra de libertação que agora se encerra com o nascimento de um novo Estado (país).


Antes que o plenário do Parlamento de Kosovo aprove a histórica declaração de independência, deverá adotar as leis necessárias para aplicar até a última vírgula o plano do enviado especial da ONU, o finlandês Marti Ahtisaari, sobre o que se atingiu o consenso interno na União Européia e nele se faz um finca-pé especial [se insiste enfaticamente] na proteção das minorias, sobretudo dos sérvios.


Nas ruas de Pristina [a capital Kosovar] se vive um ruidoso fervor patriótico, mais característico de torcedores de uma vitoriosa equipe de futebol que de cidadãos do que será em algumas horas o país mais jovem da Europa. Milhares de bandeiras albanesas – roxa com águia bicéfala negra, o estandarte de Skanderberg, o grande herói medieval albanês que enfrentou os turcos [otomanos] – decoram cada balcão. Alguns carros a tem pregado ao capô. Mas não é a única bandeira que se vê em Kosovo. Seguindo atrás à de Skanderberg, a mais popular é a dos Estados Unidos. Em um terceiro e distante lugar, a azul da Europa.


Um dos deveres do Parlamento, que se acumulam nos momentos históricos, será o de escolher uma bandeira estatal para diferenciar aos albaneses de Kosovo dos de Albânia, Macedônia ou Montenegro.
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