terça-feira, 15 de abril de 2008

Deu no New York Times


Muitas das contradições do século XX seguem em nossos dias: enquanto na Itália a ultradireita avança na esteira da vitória de Silvio Berlusconi, em meio ao baixo comparecimento da população às urnas, no NEPAL guerrilheiros e guerrilheiras maoístas venceram as primeiras eleições realizadas neste antigo reino nos últimos nove anos e após um longo processo de Paz. Os maoístas nepaleses já garantiram a maioria nas eleições parlamentares e terão o controle do Governo do Nepal, sob a liderança do "camarada Prachanda". As eleições foram observadas inclusive pelo ex-presidente dos EUA Jimmy Carter (democrata).

A eleição no Nepal deve escolher os 601 membros de uma assembléia que escreverá a nova Constituição do país, formalmente uma monarquia de 240 anos de história. Os maoístas, considerados anteriormente como semelhantes ao Sendero Luminoso peruano, abandonaram a linguagem de Karl Marx e Mao Tse Tung, deixando de lado a nacionalização e afirmando que os investimentos estrangeiros são bem-vindos em alguns setores da economia do país. Eles também são favoráveis à reforma agrária e aos esforços sociais para a erradicação da pobreza.

Já na Itália, Silvio Berlusconi e a direita ganharam as eleições, disputadas no último fim de semana. A sua coligação obteve 46,8% para a Câmara de Deputados e 47,3% para o Senado, alcançando maioria absoluta nas duas câmaras. A chamada Esquerda Arco-Íris, que incluía a Refundação Comunista, os Comunistas Italianos e os Verdes, obteve 3,1% para a Câmara e 3,2% para o Senado, não elegendo nenhum deputado ou senador.

Diante da acachapante derrota, Fausto Bertinotti pediu demissão da direção da Refundação Comunista. Na Itália existe cláusula de barreira de 4% para eleger deputados (e 8% em cada região para eleger senadores). Essa barreira e uma grande queda impediram a Esquerda Arco-Íris de eleger qualquer deputado ou senador.
Fausto Bertinotti, que era o presidente da Câmara dos Deputados, considerou que o fato da Esquerda Arco-Iris não eleger ninguém constitui uma derrota de "proporções imprevistas".
Em uma coletiva de imprensa, Bertinotti disse que "meu papel na direção termina esta noite", considerou que a esquerda deve refletir, afirmando: "A construção de uma força de esquerda unida é a única perspectiva de esperança para o futuro".
Na coligação de direita, o Partido da Liberdade (PL), de Berlusconi e Gianfranco Fini, obtém 37,4% elegendo 272 deputados para a Câmara e a Liga do Norte (LN), de Umberto Bossi, 8,3% elegendo 60 deputados. Para o Senado o PL obteve 38,2%, elegendo 141 senadores e a LN 8,1%, elegendo 25 senadores.
A coligação liderada por Walter Veltroni e pelo Partido Democrático (PD) obteve 37,54% para a Câmara de Deputados, elegendo 239 deputados (211 do PD e 28 do partido Itália dos Valores do juiz Di Pietro) e 38% para o Senado elegendo 130 senadores (116 do PD e 14 do partido de Di Pietro). (fontes: Reuters, El País, Le Figaro).



A matéria do New York Times acerca das eleições no Nepal, na íntegra, segue abaixo:




Nepal’s Maoists Lead in Early Election Results

By SOMINI SENGUPTA
Published: April 15, 2008



KATMANDU, Nepal — Barely two years out of the jungle, former Maoist guerrillas were poised on Monday to lead Nepal’s new government, as initial election results signaled that voters had chosen to remove most of their veteran politicians from office and sought a radical break with the past.
Of the 196 directly elected legislative seats for which results had been tallied, the Maoists picked up 108 in the voting on Thursday, the Election Commission announced, according to The Associated Press. Far behind were the Nepali Congress Party, with 31 seats, and the Communist Party of Nepal (Unified Marxist Leninist), or U.M.L., with 27.
In addition to a total of 240 directly elected seats in the new, 601-member Constituent Assembly, there are 335 indirectly elected seats, intended to give women and marginalized castes and ethnic groups a greater voice in the government. The other 26 seats are appointive.
The partial results of last week’s voting point toward a Maoist landslide, which would defy predictions, though the final count, which could take weeks, could tilt the election differently, or at least reduce the Maoists’ margin.
The results will bear mightily on Nepal’s future: The new assembly will rewrite the country’s Constitution and govern the country while it is doing so.
Under Nepal’s unusual election laws, Prachanda, the Maoist leader, was allowed to run in two election districts, and won them both. Madhav Kumar Nepal, the leader of the other leftist party, U.M.L., lost both his races and resigned as party president.
Another party new to electoral politics, an ethnic Madhesi party from the southern plains, which also emerged from armed rebellion demanding greater autonomy, picked up 15 seats.
Prachanda pledged Sunday to work with the other parties. It is not clear whether winning control of the government would embolden his party to push its most radical demands, like integrating its former fighters into the security forces, or whether the task of governance, in which the Maoists have little experience, would make them “sober up,” in the words of a diplomat, who, under normal diplomatic protocol, could not publicly comment on an election.
Assessing the early results of the election, a newspaper columnist, C. K. Lal, said: “The Nepali people are saying they are fed up with the way things are going. The good part would be if the Maoists can use their majority to usher in changes through consensus. The bad part would be if Maoists thought they could go the way they wish because they have a majority.”
Tempering their original revolutionary stridency, the Maoists, as politicians, have said in recent months that they have no intention of hindering private investment or nationalizing property. Their principal goal has been to oust the 240-year-old Hindu monarchy. It is unknown to what extent voters chose the Maoists out of genuine conviction, intimidation or a sense that former guerrillas are safer in the assembly than outside.
In any event, the victors in the elections, particularly if they are the new faces of the Maoists, will inherit large expectations, especially in a young, desperately poor country that had not had elections in nine years.
“For the Maoists, it will be an awful lot of pressure to govern,” said another diplomat. “There will be pressure to deliver, be relatively pro-poor and deliver a peace dividend to the countryside. That is pretty hard in Nepal.”


Fonte: http://www.nytimes.com/2008/04/15/world/asia/15nepal.html?_r=1&ref=world&oref=slogin

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