sexta-feira, 25 de abril de 2008

Texto do Zini Pires sobre a bravura dos colorados

O Estádio Beira-Rio conta histórias que o homem não acredita em suas quase quatro décadas de existência. Seus olhos, e de seus habitantes do cimento armado, tinham visto tudo, títulos, taças, gols e jogadores de Seleção e de documentário. Digo, quase tudo. O primeiro tempo do jogo com o Paraná, a 23 de abril de 2008, foi algo quase extraterrestre. O Inter fez o possível, depois o impossível sem o seu goleador Alex, sem a sua máquina, Guiñazu, sem o seu protetor Edinho. Sofreu um gol logo aos três minutos, mas marcou três em menos de 40, mais dois depois do intervalo: 5 a 1.
Claro, o adversário perdeu dois jogadores expulsos com justiça, o Inter mais um, mas nem com 11 o Paraná conseguiria um resultado positivo na noite agradável de outono. O Inter tinha mais time, mais grupo, mais vontade, mais todos os segredos que encaminham um vitória espetacular.
O Beira-Rio sacudiu inteiro. A torcida ficou em pé, jogou junto com os 10 da grama. Jogou inteira com o time.
Passou o intervalo todo com a certeza que o quarto gol nasceria com o segundo tempo. O Inter não tinha apenas mais determinação. Contava com 10 jogadores contra apenas nove.
O número par podia oferecer tranqüilidade acima de tudo. Mas a arquibancada era uma pilha de nervos. Um gol de Fernandão nos descontos desconectou a pilha.
O Inter correu o que não podia graças a determinação dos jogadores, que buscaram forças na alma. Nem eram os 11 titulares de Abel Braga, mas um time com desfalques, com reservas, com improvisações.
Foi um jogo histórico, inesquecível, capaz de encantar várias gerações de colorados. Jogo para ser contado em qualquer conversa, no bar entre amigos, em casa junto aos familiares, na rua aos incrédulos.
Os 5 a 1 lembrou os melhores momentos do clube em 99 anos de vida. luiz zini pires

Nenhum comentário: