domingo, 6 de fevereiro de 2011

Boletim especial da METSUL Meteorologia

CHUVA DESTE DOMINGO EM SÃO LEOPOLDO É UMA DAS MAIS INTENSAS DAS ÚLTIMAS DÉCADAS NA CIDADE



“Dilúvio” na cidade do Vale do Sinos trouxe volume equivalente à quase 10% da média do ano inteiro de chuva na cidade de Porto Alegre em menos de seis horas


Quanto choveu ? A estação da MetSul Meteorologia, localizada em sua sede no Morro do Espelho, em São Leopoldo, indicou entre o começo da chuva no início da manhã e 10 horas um volume de 70,2 milímetros. Seguiu chovendo muito após a medição da manhã e a leitura das 16 horas indicou mais 56,5 milímetros, totalizando 126,7 milímetros. Quase todo este volume ocorreu apenas durante a manhã, em intervalo de apenas cinco horas. Em outras estações operadas pela MetSul Meteorologia em São Leopoldo, integrantes do sistema de vigilância meteorológica que funcionada em parceria com o Semae e a Prefeitura Municipal de São Leopoldo, os volumes até 16 horas foram de 129,6 milímetros (o maior anotado no perímetro urbano) no bairro Santa Teresa (sul da cidade); 120,0 no Jardim América; 103,3 no Parque Imperatriz; e 78,5 no bairro Jardim das Acácias. Também até 16 horas, estação meteorológica automática particular localizada no bairro Padre Réus acusou um volume de 119,9 milímetros.


O volume registrado equivale a quanto ? A chuva em São Leopoldo é considerada pela MetSul uma das mais extremas em curto período das últimas décadas. Em 29 de julho de 1995, a estação da MetSul no Morro do Espelho registrou 117,1 milímetros, volume que é inferior ao apurado neste domingo em questão de apenas seis horas. Chuva extrema de verão na Grande Porto Alegre comparável a de hoje em São Leopoldo ocorreu na Capital e Canoas na madrugada do Natal de 1997. Na ocasião, a estação operada à época pela MetSul no campus da Ulbra, em Canoas, indicou 129,6 milímetros em menos de doze horas, ironicamente o mesmo valor máximo de chuva apurado neste domingo em São Leopoldo. Para se ter uma idéia, o volume em menos de seis horas neste domingo em São Leopoldo é maior do que a média histórica de fevereiro da estação do Morro do Espelho, na zona Leste da cidade, de 98,5 milímetros. Choveu, assim, 131% da média mensal em questão de cinco horas. O alto acumulado de 129,6 milímetros em menos de seis horas na estação da MetSul no bairro Jardim América equivale a quase 10% da média histórica de chuva do ano inteiro na cidade de Porto Alegre (1347,4 milímetros) e representou 44% de toda chuva ocorrida em 48 horas na estação de Nova Friburgo (296 milímetros), a que anotou os maiores acumulados de precipitação na Região Serrana do Rio de Janeiro na tragédia de janeiro.


Por que choveu tanto ? A Grande Porto Alegre estava sob influência de uma massa de ar quente e muito úmida. Em parte da Capital, a temperatura oscilou durante a madrugada inteira do domingo entre 27ºC e 28ºC. No começo da manhã, uma frente fria de escassa atividade que avançava pela costa induziu a formação de nuvens carregadas sobre a área metropolitana. O ar mais seco e ameno que estava na retaguarda da frente encontrou o ar bastante quente e de umidade elevada na Grande Porto Alegre, gerando a chuva intensa localizada. Imagens de satélite em alta resolução mostram que a nuvem mais carregada se localizou sobre São Leopoldo e região do Vale do Sinos, permanecendo quase parada na área, o que acabou por gerar a precipitação extrema. O contraste de temperatura entre as massas de ar que atuavam na região antes e após a chuvarada se evidencia pelos registros da estação da MetSul na Avenida Sertório, em Porto Alegre, onde às 16h49 do sábado foi registrada uma máxima de 37,4ºC e 24 horas depois, no mesmo horário, os termômetros indicavam 30,4ºC, logo 7ºC a menos e ainda com vento do quadrante Sul.


Havia alerta da Meteorologia ? A MetSul Meteorologia alertava para o risco de ocorrer chuva forte na Grande Porto Alegre neste domingo, destacando que as precipitações de novo deveriam ser localizadas na região, ocorrendo já entre a madrugada e o período da manhã, diferentemente do que ocorre normalmente nesta época do ano, quando a chuva tende a ser registrada da tarde para a noite.

Pode voltar a chover forte na região ? A MetSul alerta que a atmosfera ainda vai seguir instável na Capital e Grande Porto Alegre no decorrer da semana. Nesta segunda-feira, o sol aparece com nuvens com períodos de maior nebulosidade, contudo diminuirá o risco de chuva intensa, apesar de não ser possível descartar que pontos muito isolados possam registrar pancadas ocasionalmente fortes. Na terça e na quarta-feira deve aumentar muito a instabilidade novamente com a atuação de uma frente fria e de centro de baixa pressão, o que vai deixar o céu com mais nuvens na Capital e área metropolitana com chance de chuva a qualquer hora do dia. Pancadas de chuva ocasionalmente fortes a torrenciais de caráter localizado não podem ser descartadas neste período de 48 horas, especialmente na quarta.



Boletim sob responsabilidade técnica do meteorologista Eugenio Hackbart com pesquisa histórica de Alexandre Aguiar

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